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Poesia de Cruz e Sousa
poesia de Cruz e Sousa, por José Rubem Fonseca
 
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j., Rio de Janeiro (RJ) · 30/9/2008 · 76 votos · 8
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Lançamento: 2001

Sou ficcionista, porém para a Seção Relançamentos escolhi um poeta; gosto mais de ler poesia do que ficção. Meus poetas favoritos são todos modernos, mas, por várias razões, optei por um poeta simbolista. O Simbolismo é um movimento poético hoje completamente ignorado. E o poeta Cruz e Sousa é um ilustre desconhecido para a maioria das pessoas alfabetizadas que conheço.

O Simbolismo surgiu no início do século 20 como oposição ao Parnasianismo. O Parnasianismo, por sua vez, foi um movimento originado na França, no século 19, que se opunha ao Romantismo, e que teve como seus mais ilustres expoentes Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e Sully Prudhomme.

No Brasil, nessa época, a poesia romântica também já não possuía tantos seguidores. Castro Alves saíra de moda, e então surgiram os primeiros parnasianos, com destaque para Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira. Mas não demorou muito para que poetas parnasianos como Alberto de Oliveira , Raimundo Correia e Olavo Bilac dominassem o cenário poético.

A partir de 1890, o Simbolismo, também originário da França, começou a superar o Parnasianismo. (Porém demorou para que o termo “parnasiano” fosse usado de maneira ofensivamente derrogatória.) Note-se que o Simbolismo, além da literatura, abrangeu outras artes, como o teatro, a pintura, a música. Na área da literatura, os nomes mais importantes foram Baudelaire, Claudel, Mallarmé, Verlaine e Rimbaud. Os simbolistas encenavam a realidade com signos que representavam um conceito ou sugestão, com metáforas e figuras de linguagem que consistiam em misturar duas imagens ou sensações de natureza distinta. E sua influência foi universal. No Brasil surgiram vários poetas simbolistas, como Alphonsus de Guimaraens, Emiliano Perneta, Virgílio Várzea, Nestor Vítor, Francisca Júlia, Pedro Kilkerry, mas o mais importante de todos foi Cruz e Sousa.

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis. Filho de escravos, sofreu uma série de perseguições raciais.

Em 1890 veio para o Rio de Janeiro, onde descobriu a poesia simbolista francesa. Ele escreveu também livros de prosa como Tropos e Fanfarras (em conjunto com Virgílio Várzea) e Missal, mas a sua obra mais importante é a poética, destacando-se Broquéis, publicado em 1893, Faróis em 1900 e Últimos sonetos em 1905. Seus dois últimos livros foram publicados depois da sua morte, em 19 de março de 1898.

O poeta conseguiu um emprego humilde na Estrada de Ferro Central. Em 1893 casou-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente; o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos. Gravita sofria das faculdades mentais e passava longos períodos internada em hospitais psiquiátricos.

Cruz e Sousa contraiu tuberculose, doença infecciosa que ocorria freqüentemente entre as pessoas pobres, enfermidade que o matou, aos 36 anos, miserável, discriminado, desconhecido.

Seria interessante se pudéssemos reduzir o silêncio que cerca o seu nome e a sua obra.

Por Rubem Fonseca



tags: Florianópolis SC artes-visuais
 
rubem, joão é um dos poetas dos quais gosto. é muito importante que relembremos este grande poeta lírico
e um dos primeiros grandes bardos negros da literatura
brasileira.

jessebarbosa26 · Salvador (BA) · 7/10/2008 11:53
Rubem Fonseca, eu conheci este poeta em 2001/02 graças a uma professora de literatura em Florianópolis.
Comprei num sebo uma antologia por 3 reais e leio numa boa. Às vezes é bom gostar de livros, e não de carros...
um abraço, do leitor Márcio AF Souza.

marcioafsouza · Belo Horizonte (MG) · 11/10/2008 22:53
Ruben,

Bacana você falar no Cruz assim, chamando a atenção de todos para a importância dele.
Me ocorreu agora, contudo um fato curioso:
O Cruz sempre foi bastante cultuado há muito tempo por muitas pessoas de um ambiente onde eu frequentei muito, ali pelos anos 70/80, o movimento negro. Para nós o Cruz smpre foi o 'cara'. Na verdade, o Cruz e Soiuza sempre foi muito lido, decorado e declamado por negros em geral.
O curioso - e um bom sinal de modernidade para o Brasil - é ele estar sendo agora 'descoberto' por um meio social mais amplo, saindo do injusto gueto do ostracismo enfim.
Viva o Brasil se reconhece enfim!

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/10/2008 19:45
Nada mais justo do que retirar a mudez que cerca o nome de um grande artista, aproveito para acrescentar algumas palavras de Cruz e Sousa: "D'alto abaixo, rasgam-se os organismos, os instrumentos da autópsia psicológica penetram por tudo, sondam, perscrutam todas as células, analisam as funções mentais de todas as civilizações e raças: mas só escapa à penetração, à investigação desses positivos exames, a tendência, a índole, o temperamento artístico". Parabéns pela escolha querido Rubem.

Carina Lessa · Rio de Janeiro (RJ) · 23/11/2008 20:55
"Cruz e Sousa opera uma crítica sibilina no que diz respeito a esta retórica de que é um dos maiores representantes. Numa espécie de quimismo exasperante, o ideal simbolista do “criador maldito” recua, retroage até o ponto-nó de um conflito individual, privado: o poeta negro é, ele mesmo, “o maldito entre os malditos”, o poeta dos poetas do simbolismo."

A íntegra desse texto pode ser lida em: http://sibila.com.br/batepro205cruzesouza.html

abraços ao Rubem Fonseca e ao Spírito Santo!

ronald augusto

ronald augusto · Porto Alegre (RS) · 30/12/2008 11:05
Tem uma biografia dele muito interessante escrita pelo Paulo Leminski, pra quem não conhece.
VIDA - Paulo Leminski.

marcioafsouza · Belo Horizonte (MG) · 21/2/2009 16:40
Rubem:
Parabéns!
É um dos meus petas favoritos...
Fiz um cordel para homenagear o poeta magistral.

Cordel para Cruz e Sousa
Gustavo Dourado


João de Cruz e Sousa...
Lá em Floripa nasceu
Lá na antigo Desterro
Poeta se concebeu...
Filho de negros escravos
No sofrimento viveu...

Poeta incomensurável
Está pra lá de Baudelaire
Poeta além do infinito
À frente de Apollinaire...
De repente num relâmpago...
Poeta Negro além.maré...

Leia na íntegra:
http://www.literal.com.br/banco/texto/cordel-para-cruz-e-sousa-o-poeta-negro

gustavodourado · Brasília (DF) · 17/3/2009 17:53
Rubem/Cecília:
Parabéns!
É um dos meus poetas favoritos...
Fiz um cordel para homenagear o poeta magistral.

Cordel para Cruz e Sousa
Gustavo Dourado


João de Cruz e Sousa...
Lá em Floripa nasceu
Lá na antigo Desterro
Poeta se concebeu...
Filho de negros escravos
No sofrimento viveu...

Poeta incomensurável
Está pra lá de Baudelaire
Poeta além do infinito
À frente de Apollinaire...
De repente num relâmpago...
Poeta Negro além.maré...

Leia na íntegra:
http://www.literal.com.br/banco/texto/cordel-para-cruz-e-sousa-o-poeta-negro



gustavodourado · Brasília (DF) · 17/3/2009 17:55
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